JUL
27
Fóssil descoberto por William Nava coloca Marília em destaque na revista científica Nature pela segunda vez
Segunda, 27/07/2026
COMPARTILHAR
compartilhar no facebook
compartilhar no messenger
compartilhar no twitter
compartilhar no whatsapp
compartilhar no mais
receba newsletter
Pesquisa publicada em um dos periódicos científicos mais prestigiados do mundo reforça a relevância internacional do Museu de Paleontologia de Marília e das pesquisas desenvolvidas no município
Uma descoberta realizada no interior paulista volta a colocar Marília em evidência no cenário científico internacional. O fóssil da serpente Tametara mirim, descoberto pelo paleontólogo William R. Nava, coordenador do Museu de Paleontologia de Marília, é tema de um estudo publicado na revista Nature, um dos periódicos científicos mais importantes e prestigiados do mundo.
A pesquisa apresenta novas evidências sobre a origem e a evolução das primeiras serpentes, trazendo informações que modificam hipóteses discutidas há mais de um século pela comunidade científica.
O exemplar foi encontrado em 2020 por William R. Nava e Giovanna M. X. Paixão durante trabalhos de campo na jazida William’s Quarry 2, localizada no Sítio Paleontológico José Martin Suárez, em Presidente Prudente (SP). Catalogado como MPM 420, o fóssil integra o acervo do Museu de Paleontologia de Marília, onde permanece preservado para pesquisas científicas. A serpente viveu entre 85 e 75 milhões de anos, no período Cretáceo Superior, quando os dinossauros ainda habitavam a Terra.
O estudo, desenvolvido por pesquisadores brasileiros e internacionais, utilizou tomografia computadorizada de alta resolução para revelar detalhes inéditos do crânio, do cérebro e da anatomia interna da espécie. As análises demonstram que a Tametara mirim representa uma das linhagens mais primitivas já conhecidas de serpentes e possuía adaptações para viver escavando o solo, reforçando a hipótese de que os ancestrais das cobras modernas tiveram origem em ambientes subterrâneos.
Além disso, a pesquisa revela que a evolução inicial das serpentes foi muito mais diversa do que se imaginava, tanto em relação à anatomia cerebral quanto aos diferentes modos de vida dessas espécies.
A participação de William R. Nava foi decisiva para o desenvolvimento do estudo. Seu trabalho de prospecção em campo possibilitou a preservação de um dos exemplares de serpentes cretáceas mais completos já encontrados na América do Sul, permitindo que pesquisadores de diferentes instituições realizassem análises que hoje repercutem internacionalmente. O paleontólogo também integra a lista de autores do artigo publicado na Nature, reconhecimento destinado aos cientistas que contribuíram diretamente para uma das pesquisas mais relevantes da paleontologia mundial nos últimos anos.
A publicação representa mais um marco para Marília. Ter um fóssil pertencente ao acervo do Museu de Paleontologia do município descrito em uma revista de alcance internacional evidencia a qualidade das pesquisas desenvolvidas pela instituição e reforça a importância da preservação do patrimônio fossilífero do oeste paulista.
Esta é a segunda vez que uma descoberta de William R. Nava é publicada na Nature. Em 2024, um fóssil de ave do período Cretáceo, encontrado por ele durante escavações na pedreira William’s Quarry, em Presidente Prudente, foi destaque na capa da revista. A espécie, denominada Navaornis hestiae, recebeu esse nome em homenagem ao paleontólogo mariliense e foi reconhecida como um importante elo na evolução das aves.
Com a nova publicação, William Nava passa a integrar um seleto grupo de pesquisadores brasileiros com mais de um trabalho publicado em uma das revistas científicas de maior impacto do planeta, reforçando a relevância internacional das pesquisas desenvolvidas a partir do acervo do Museu de Paleontologia de Marília.
O reconhecimento também fortalece o papel de Marília como referência nacional em paleontologia, ampliando sua visibilidade entre universidades, centros de pesquisa e instituições científicas de diversos países. Além de contribuir para o avanço do conhecimento sobre a evolução das serpentes, a descoberta valoriza o patrimônio científico regional e consolida o Museu de Paleontologia de Marília como um importante centro de pesquisa, conservação e divulgação da história da vida na Terra.
A secretária municipal da Cultura, Taís Monteiro, destacou a importância da conquista para o município.
“É motivo de muito orgulho ver o nome de Marília novamente em destaque no cenário científico internacional. Ter um fóssil descoberto pelo paleontólogo William Nava, que integra o acervo do nosso Museu de Paleontologia, como protagonista de uma pesquisa publicada pela Nature, uma das mais importantes revistas científicas do mundo, é um reconhecimento da relevância do trabalho que vem sendo desenvolvido em nosso município. O Museu de Paleontologia de Marília tem papel fundamental na conservação desse acervo e na produção e divulgação do conhecimento sobre a história da vida na Terra. Parabenizamos o William Nava e todos os pesquisadores envolvidos nesse trabalho, que mais uma vez colocam Marília no mapa da ciência mundial.”
Para o secretário municipal do Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, Vitor Gazola, a publicação de um estudo científico na renomada revista Nature evidencia a excelência do trabalho desenvolvido ao longo de mais de 30 anos. "Esse reconhecimento internacional demonstra a relevância da ciência produzida em Marília e reforça o compromisso do prefeito Vinicius Camarinha em fortalecer e valorizar a ciência, a cultura, o turismo e o lazer. Em breve, o Museu ganhará uma nova sede, mais ampla, moderna, atrativa e acessível, proporcionando uma experiência ainda melhor para pesquisadores, estudantes e visitantes", destacou o secretário.
Fotos: Divulgação
